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Aborto

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Argumentos a favor da descriminalização do aborto: Antes de tudo, deve-se destacar que cada gravidez tem um contexto diferente, que

deve ser levado em conta, e que cada mulher sabe a estrutura emocional, psicológica, social e financeira que possui, ou não, para ter um filho. Assim como o aborto traz um sofrimento à mulher, um filho em um momento indesejado e nada propício também pode deixar sequelas para o resto da vida e isto deve ser ponderado na decisão sobre a alegação de ser certo ou não a legalização do aborto. Um dos principais argumentos para admitir a descriminalização do aborto está no fato de que a mulher deve ter o poder de decisão sobre seu próprio corpo. Só ela sabe em que situação se encontra, situação financeira, cultural, moral, se tem condições ou não para criar um filho. Existem muitas outras questões envolvidas, como: de que forma foi gerada a criança? Foi fruto de algo que ela pôde escolher ou por meio de violência sexual? Ter esse filho pode afetar sua saúde? Ela tem estrutura e apoio para colocar no mundo uma outra vida? O que seus pais iriam pensar sobre a gravidez? Uma mulher que sofre violência sexual fica emocional e mentalmente abalada, com problemas psicológicos incompatíveis com a mentalidade e amor que uma mãe deveria ter para carregar o fruto de uma relação traumatizante durante 9 meses e para cuidar dele pelo resto da vida. Cláudia Salgado é uma mulher de 28 anos que foi gerada a partir de um estupro e afirma que é a favor do aborto. “Acho muito mais digno interromper uma gravidez indesejada do que colocar uma criança no mundo para sofrer e passar necessidades”, afirma Cláudia. “Eu fiquei extremamente sequelada, e não sinto a menor vontade de ser mãe. Não acredito que poderei ser boa o suficiente. Me sinto extremamente insegura e tenho muita resistência ao assunto”. Ela afirma que a mãe sempre batalhou para dar a ela todos os bens materiais de que precisava, mas que sua mãe não conseguia lhe dar amor, “minha mãe não tinha a menor estrutura emocional de ter um filho sob aquelas condições e naquela idade. E eu nunca me senti desejada. Minha infância ficou quebrada e minha vida, incompleta. Sempre tive o sentimento de que ela se importava comigo, mas não me amava… E até hoje tenho este sentimento”, afirma Cláudia. “Por ser fruto de um estupro, me sinto até mesmo no direito moral de ser a favor do aborto. Eu sei o quanto foi horrível e quantas vezes desejei não ter nascido, pois acredito que a vida da minha mãe teria sido muito melhor se isso não tivesse acontecido. Ela teria tido mais tempo para concluir os estudos, fazer coisas que uma jovem da idade dela faria se não tivesse um filho nos braços. Ela não teria passado pela dor da reprovação, pela humilhação que passou e teria muito mais chance de ter formado uma família e ter um lar ajustado.” Por mais que hoje a lei permita que uma mulher que sofra violência sexual possa abortar, sem a descriminalização há um processo para provar que houve o estupro e que ela tem o direito de abortar, e esse processo envolve toda uma exposição social, humilhação de assumir que foi estuprada e revelar isso em delegacias que muitas vezes são compostas por pessoas que apenas julgam e não se preocupam verdadeiramente com o caso da mulher, médicos que não querem realizar a operação e uma sociedade que discrimina.

De acordo com um estudo feito pela World Health Organization em Geneva e o Guttmacher Institute em New York. ela o fará independente de ser crime ou não. o medo das perguntas no hospital. Nessa situação. quando uma pessoa chega ao ponto de querer abortar. de acordo com o estudo feito. A natureza clandestina do procedimento dificulta a procura por socorro médico. Sua persistência na cavidade uterina serve de caldo de cultura para as bactérias que subiram pela vagina. 12ª semana de gestação. não geraria aumento no número de abortos. afirma Drauzio Varella. Deve-se levar em conta que. quando quem está morrendo são as filhas dos outros. porque nem sempre o útero consegue livrar-se de todos os tecidos embrionários. O aborto ilegal é a terceira causa de mortes maternas no Brasil e em sua maioria mulheres pobres. a criminalização não reduz o número de abortos e a descriminalização não o aumenta. já que as ricas podem ir em clínicas caras onde receberão medicação. o número de abortos feitos em países onde é legalizado o aborto e em países onde é proibido é estatisticamente igual. É fácil proibir o abortamento. enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias. a insegurança da paciente em relação à atitude da família. provoca hemorragia. afirma o Doutor Drauzio Varella. dos comentários da vizinhança e a própria ignorância a respeito da gravidade do quadro colaboram para que o tratamento não seja instituído com a urgência que o caso requer”. a forma de tratamento que as mulheres receberiam nas clínicas seria realizada com mais seriedade e consequentemente o procedimento seria mais bem feito. keka “Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. logo que a febre se instala. que exige solução urgente”. evitando que tantas mulheres morressem pela negligência de diversas clínicas ilegais e isso. Percebe-se então que se houvesse a descriminalização.Pelo fato de o aborto ser crime. Ou seja. equivaleria a um morto cerebral . As membranas que revestem a bolsa líquida são especialmente difíceis de eliminar. “O procedimento é doloroso e sujeito a complicações sérias. por saber que não tem condições de seguir com a gravidez. muitas mulheres precisam realiza-lo em condições precárias. só na 13º semana começa a formação do cérebro. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública. na maioria dos casos. em clínicas que não dão o devido tratamento. febre e toxemia.

Se a mãe não tem condições de criar um filho que foi gerado desta forma. O aborto não é a única. em quaisquer condições. “É claro que a mulher sofreu uma primeira espantosa agressão. quando a mulher não quer tê-lo e quer ter decisão sobre seu próprio corpo. É claro que os direitos da mulher também devem ser tutelados. nem a melhor saída. e em qualquer lugar do mundo. a ponto de serem muito grandes as chances de que. como um bebê recém-nascido. ou então quando a criança pode nascer com problemas mentais. como se fosse algo menos importante. por ser um ser mais frágil. o direito à vida é o mais amparado pela Constituição Federal brasileira. não em relação à mulher." Questionada a respeito do direito de escolha da mulher.htm>. "(A gravidez) foi um fato na vida dela que não há como apagar.Argumentos contra a descriminalização do aborto: De acordo com os estudiosos do Direito. Abortar não vai resolver seu sofrimento. Existem outras alternativas. “Atualmente. Lenise diz que "o direito da criança está à frente". A mulher deve ter sim o direito sobre o seu corpo. a da violação. tem muito mais facilidade de serem adotadas. Não achamos que seja uma solução. ela pode colocá-lo para a adoção. a ciência médica garante que praticamente não há circunstâncias em que se deva optar entre a vida da mãe ou do filho. "E não é uma escolha definitiva.acidigital.htm>. 2013) Hoje a ciência e a medicina evoluíram muito. primeiramente. O aborto. em muitos casos. desamparada. É tomada em um momento de pressão. vai acrescentar as complicações físicas e psíquicas que o aborto tem por si mesmo” (Disponível em: <http://www. não é racional que ela passe também pelo procedimento que com certeza pode gerar danos emocionais e físicos de realizar um aborto. já que no Brasil. Para ela. “o aborto é uma "falsa solução". deve ser analisado o caso concreto. uma situação extremamente traumática. O código de ética médica afirma que em caso de complicações na gravidez devem ser feitos os esforços proporcionados para salvar a mãe e filho e nunca ter como saída a morte premeditada de um deles. Acesso em: 28 ago. quando pode gerar danos à mãe. Deveria ser exatamente o contrário. para que um dos princípio prevaleça. 2013) O aborto também não é. mas quando há um conflito entre princípios. em que não necessariamente ele terá uma vida sem amor. mas a criança.com/vida/aborto/mentiras. membro da comissão de bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) representa bem o porquê de o aborto não ser uma solução. Em todos eles a vida da criança é rebaixada e esquecida. crianças pequenas. Acesso em: 28 ago." (Disponível em: . a melhor opção quando a gravidez pode por em risco a saúde da mãe.” (Disponível em: <http://www. sua proteção precisa ser maior. claramente é uma violação a esse direito.acidigital. deve ter o direito sobre sua vida.com/vida/aborto/mentiras. Existem várias justificativas para aceitar o aborto: quando há estupro. mas sim à criança que ela está carregando dentro de si. Ao contrário. mesmo em uma gravidez de risco. Em relação ao aborto de anencéfalos a opinião de Lenise Garcia. Apresentar o aborto como uma "solução" é dizer que um veneno deve ser combatido aplicando-se outro. Se a mãe foi estuprada. tanto a mãe quanto o filho possam ser salvos. O aborto não vai tirar nenhuma dor física ou psicológica produzida em uma violação. anencefálicos etc.

apesar de pequenas. ou em um acidente de carro ou por bala perdida. ela teria o direito de abortá-lo para não passar pela dor da perda? É claro que não tem como premeditar se uma pessoa vai morrer cedo ou tarde.html>.com/brasil/noticia/2013/05/e-muito-dificil-saber-que-o-filho-na-suabarriga-vai-morrer. Acesso em: 28 ago. Existem muitos casos no Brasil de crianças com má formação do cérebro que sobreviveram por anos e foram muito amadas pelos pais. não é justo que sua vida seja tirada. . perfeitamente saudável. iria morrer em um acidente de carro. já que a criança com anencefalia tem chances. aos 3 anos de idade. de viver. mesmo que por poucos anos. mas fica nítido nessa comparação que.globo. 2013) Existem casos de crianças que foram diagnosticadas como anencéfalos Outra questão é a seguinte: quem pode dar 100% de certeza de que uma criança anencéfala não vá sobreviver alguns anos ou quem pode dar 100% de certeza que ela realmente possui esse diagnóstico? É só fazer uma comparação. por exemplo.<http://g1. Se uma mãe soubesse que seu filho.

com.acidigital.0.catiakitahara.anis.pdf http://drauziovarella.pragmatismopolitico.Bibliografia http://www.com.bulevoador.org.com.estadao.com/2013/07/sou-evangelica-e-a-favor-da-legalizacao-do-aborto/ http://www.razoes-a-favor--do-aborto-.html http://www.cemhomens.br/blog/porque-sou-a-favor-da-legalizacao-do-aborto http://www.com.br/2010/10/10-motivos-para-ser-a-favor-da-vida-atraves-dadescriminalizacao-do-aborto/ http://www.htm http://www.br/mulher-2/gravidez/a-questao-do-aborto/ .br/arquivos/pdf/AbortoLegal.br/2013/06/filha-de-mae-estuprada-a-favor-doaborto.htm http://www.br/noticias/impresso.com.1020348.com/vida/aborto/mentiras.